Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Vale do Sousa em Destaque

Castelo de Paiva - Felgueiras - Lousada - Paços de Ferreira - Paredes - Penafiel

Lousadense presente na Bienal de Veneza

Natalina Costa   e Frederic Hérard.jpgA arquiteta Lousadense Natalina Vieira da Costa é uma das artistas convidadas a expor na 15.ª edição da Bienal de Veneza, que se realiza de dois em dois anos desde 1895, e vai estar patente até 27 de novembro.

Esta é a mais prestigiosa exposição internacional de arquitetura, que recebe cerca de 240 mil visitantes.

Natalina Costa destaca que “ver o trabalho exposto na bienal é uma forma de reconhecimento a que todos os arquitetos aspiram. Por isso, ficámos muito surpreendidos quando fomos contatados pelo curador da exposição do pavilhão francês deste ano, não o conhecíamos de todo. Embora a Casa da Arquitetura da Champanhe-Ardenas tenha premiado várias vezes o nosso trabalho, nunca imaginamos que tivessem conhecimento do nosso trabalho a nível nacional em França”.

O projeto apresentado na Bienal de Veneza resulta de um trabalho conjunto da Natalina Costa e do marido, Fréderic Hérard. É o projeto de uma padaria/confeitaria e café que foi realizado em 2013: a Boulangerie Éric & Jacqueline.

Como refere Natalina Costa “a iniciativa surgiu do Ministério da Cultura francês que nos convidou a participar na Bienal de Veneza. Foi surpreendente e extraordinário. Como consequência desta participação temos tido mais visibilidade e têm surgido convites para a participação em diversos eventos. Temos notado um reconhecimento público do trabalho que temos desenvolvido e isso é fantástico”.

Natalina Costa é, atualmente, Vice-Presidente da Ordem dos Arquitetos de da Champanhe-Ardenas.

 

Mudança de vida em 2007

A ida de Natalina Costa para França acontece em 2007 quando quis inscrever-se na Ordem dos Arquitetos. De acordo com a própria “era exigido que trabalhássemos durante cerca de um ano num gabinete sob a orientação de um arquiteto experiente e uma parte dos gabinetes em Portugal aproveita essa obrigação para obter mão-de-obra gratuita, ou pagando valores muito baixos. Então, pensei que essa fase transitória era o momento ideal para viver uma experiência profissional no estrangeiro”.

Depois de enviar o Curriculum para alguns gabinetes na Europa que faziam uma arquitetura com a qual Natalina Costa se identificava. Esse o caso de Lacaton & Vassal em Paris, com uma obra reconhecida internacionalmente, tendo sido nomeados para o Prémio Mies Van der Rohe que é o mais prestigiado na Europa. Na altura tinham sido convidados a participar num concurso organizado pelo Museu de Serralves do qual Natalina Costa ficou responsável.

Mas a vida pessoal sofreu alterações, pois “foi no gabinete Lacaton & Vassal que conheci o arquiteto Frédéric Hérard, hoje meu companheiro. Apesar de ter ganho em 2008 o mais prestigioso prémio de arquitetura em França - Grand Prix National de l’Architecture - o gabinete passou por grandes dificuldades financeiras e pouco depois tiveram de dispensar funcionários” – afirma a arquiteta Lousadense.

Natalina Costa destaca que “2009 foi um ano de viragem em que eu e o Frédéric decidimos abrir o nosso próprio gabinete na aldeia natal dele - Neuville-sur-Seine”.

 

De Lousada para o mundo

Natalina Costa é natural de Lousada, onde viveu e estudou até ao 10.º ano, tendo posteriormente estudado em Paredes e anos mais tarde no Porto, mais concretamente na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, onde concluiu o curso superior.

A sua ligação a Lousada passou também pela participação nas campanhas de escavações arqueológicas organizadas pela Câmara Municipal em colaboração com o Instituto Português da Juventude, nas férias de verão.

Aliás, a sua relação com Portugal estreitou-se mais ainda, na medida em que, conjuntamente com o companheiro, decidiu “proporcionar aos dois filhos, o José de seis anos e o Noé de quatro, uns meses para integraram o ensino público nacional e aprenderam a falar melhor português. Os dois pequenos gostam de estar cá em Lousada, de frequentar a escola e de estarem com a avó. É também muito interessante a proximidade existente com os professores, o que em França é impensável”.

CM Lousada